Como você já deve estar observando, as crianças têm diversos interesses. E sentem muito bem quando esses interesses são levados em conta nas atividades que se realiza com elas. Esses estão ligados ao mundo que as cerca – os animais, as plantas, as pessoas, os objetos, os amigos, a casa, o trabalho, a escola, a comunidade, os transportes, etc.
Como, então, organizar as atividades do dia a dia, partindo desses interesses que, geralmente, são bastante variados e aparecem de diferentes maneiras? Pensamos que existe uma forma: o trabalho a partir de TEMAS.
O QUE SÃO TEMAS?
Constituem-se me tudo que está ao redor das crianças, que faz parte de suas vidas.
Mas como fazer isso em casa?
Aqui no Cooperar os temas surgem dos dias temáticos:
Segunda-feira- Dia das atividades cooperativas
Terça- Feira- Dia da Culinária
Quarta-feira- Dia de Campo
Quinta-feira- Dia da Música
Sexta-feira- Dia do brinquedo
Então, veja: os temas organizam as coisas que existem, os fatos que acontecem, permitindo a descoberta e a exploração do mundo, a partir daquilo que está mais próximo da realidade das crianças (o que elas já conhecem).
Aos poucos, elas vão descobrindo coisas e fatos que estão mais distantes, mas que são muito importantes para que possam ampliar suas experiências.
Toda experiência nova parece, a princípio, difícil, mas você poderá descobrir quantas coisas surgirão! Enfim, acreditamos que vale a pena!
Temos desenvolvido um trabalho com sucata em sala de aula, da Educação Infantil a séries iniciais, para a compreensão do sistema numérico decimal, também para a integração da leitura, escrita e resolução de problemas. Apresentamos uma sugestão, baseada em nossa experiência, de como utilizar o material de sucata em casa.
Uma das formas seria propor o que chamamos de supermercado ou feira. Esse jogo consiste em deixar as crianças arrumarem livremente os objetos em barracas ou prateleiras (sobre caixas de papelão). Em casa pode ser com a compra do supermercado. Após a arrumação, pede-se às crianças que expliquem como e por que o fizeram. As crianças podem separar usando diferentes critérios, como: cores, tamanho, qualidade do material dos objetos, etc. Em seguida, você anotará na folha as explicações dadas pela criança e deverá levá-la a pensar em outras formas de separar e arrumar essa sucata (compra de supermercado), ou seja, identificar outros critérios de classificação dos objetos. Por exemplo: objetos que se usam na cozinha, que servem para higiene, limpeza, que se podem presentear, etc. Oimportante é que você estimule e deixe a criança descobrir as diferentes formas de separar e arrumar o material.
Deve-se repetir essa atividade sempre com diferentes objetos. O objetivo é permitir o desenvolvimento das estruturas mentais de classificação e seriação, consideradas básicas para a compreensão da matemática e da leitura.
Os registros, por sua vez, permitirão duas coisas: primeiro, acompanhar a evolução das classificações e, segundo, demonstrar por meio dessa ação uma das funções da escrita, o registro das ações realizadas, dos fatos ocorridos, ainda, compreender que tudo que se escreve, se pode ler.
No dia a dia, pode-se observar como as crianças são diferentes entre si. Algumas gostam muito de falar, inventar histórias, dramatizar, outras preferem atividades de correr, pular e subir, outras, ainda, ficam mais tempo em atividades calmas, como desenhar, pintar e armar joguinhos. Todas elas, no entanto, são curiosas, e as novidades representam sempre motivo de descobertas.
Por exemplo, os nossos animais domésticos despertam a curiosidade das crianças. É maravilhoso para elas lhes observarem e descobrirem a cor, o corpo, o modo de andar e comer, etc. Estamos, em vários momentos, criando situações em que as crianças ampliem seus conhecimentos. A variedade de atividades desenvolvidas pelas crianças, de acordo com seus interesses, permite-lhes que trabalhem satisfeita e, ao mesmo tempo, que se sintam seguras e confiantes. Apoiamos e estimulamos constantemente – elogiando-as, sugerindo-lhes, conversando e brincando com elas. Estamos sempre atentas para saber ouvir e respeitar as crianças, percebendo seus interesses e reações, e oferecendo oportunidade para que se expressem livremente
No Cooperar, a Educação Infantil é um espaço em que as crianças aprendem sobre si mesmas, sobre o outro e sobre o mundo. Isto não quer dizer que não haja situações de conflito como: brigas, disputas pelo material, indecisão sobre o que vão fazer, ou que alguém não queira participar de nada e atrapalhe o grupo.
Nesses momentos é que a professora ou professor precisa conhecer muito bem as crianças, para saber como agir. Ora as soluções são encontradas pelo próprio grupo, sem a interferência direta dele ou dela; ora discute-se com o grupo para encontrarem uma solução conjunta; ora a situação exigirá uma atenção particular junto à criança.
Não existem, portanto, “receitas” para educar, nem para planejar o dia a dia na Educação Infantil. O que sabemos como equipe pedagógica é que todos devem estar preocupados principalmente em:
– conhecer e aceitar as crianças como são;
– incentivar a iniciativa delas;
-valorizar as formas de expressão das crianças;
– partir sempre das experiências e interesse delas;
– criar situações em que lhes ampliem as experiências;
– oferecer oportunidades que promovam uma convivência amiga entre elas;
Vamos primeiro pensar numa família grande. Daquelas com 10, 12 filhos. O que normalmente acontecia era uma convivência sadia, em que os mais velhos ajudavam e protegiam os mais novos, vivenciando situações que estimulavam o senso de responsabilidade, preparando-os para a vida. Os irmãos mais novos aprendiam sobre a vida com os mais velhos, com enriquecimento de experiências e aumento da segurança. Essa troca era um processo de socialização natural que acontecia no tempo certo. Teoricamente, não sabemos se na prática era realmente assim.
No presente
No Cooperar essa troca, essa socialização natural acontece em um grupo de aprendizagem, com crianças de dois a cinco anos. Acreditamos que tanto a criança mais velha, como a mais nova vão se enriquecer com essa convivência.
Mas, você pode estar pensando: “Bonito de dizer, difícil de fazer…” Nossa resposta é que não será difícil trabalhar com crianças de idades diferentes, se tomarmos uns tantos cuidados, tais quais:
1 – planejar com as crianças;
2 – propor-lhes atividades diversificadas;
3 – fazer agrupamentos.
Vamos pensar sobre cada um desses:
1 – Planejar com as crianças
É necessário entender que o mais importante é planejar com elas e não para elas. Observar bem as crianças, conversar muito com elas, ouvir sempre o que têm a dizer. Procurar perceber de que elas mais gostam, para depois planejar, no início de cada dia, o que vão fazer. Também avaliar com elas o que fizeram, ao final de cada dia.
2 – Propor atividades diversificadas
É simplesmente criar condições para a criança poder escolher diferentes atividades, num certo espaço de tempo, sempre mediado pelas professoras. Por exemplo: enquanto um grupo trabalha com os blocos atributos/blocos lógicos, outro grupo pinta com guache, outro manipula livros de história, etc.
3 – Fazer agrupamentos
Quando dizemos “fazer agrupamentos”, significa formar grupos de crianças no espaço pedagógico. Não é fazer seriação na Educação Infantil, a seriação não tem razão de ser, mas sim o agrupamento, de acordo com o estágio de desenvolvimento de cada uma, para a realização de certas atividades, e em função do amadurecimento, para facilitar a interação da aprendizagem.
E a idade? É apenas um dos aspectos do agrupamento, porque normalmente cada idade corresponde a estágios do desenvolvimento infantil. Mesmo assim, os grupos formados não serão fechados, nem eternos. Tampouco as crianças ficarão com o “rótulo” do grupo X ou Y. Os grupos existem apenas como recurso para nós trabalharmos, e só em certos momentos do dia. Por exemplo, quando precisamos sistematizar conhecimentos das crianças, ou quando formos ensinar uma nova técnica de pintura, etc., chamamos determinado grupo. Muitas vezes, conforme a atividade, os grupos poderão ser outros, bem “misturados”, em que crianças maiores ensinam as menores. Mas nunca o agrupamento poderá prejudicar o que nós chamamos de convivência ou socialização natural. Quer dizer, como as crianças maiores e menores precisam conviver na Educação Infantil.
De tudo o que dissemos, você deve estar pensando: se eu tenho crianças de quatro, cinco e seis anos, como será no ano que vem? Como ficarão as crianças de quatro e cinco anos, se elas “repetirem”?
Nossa resposta é simples: as crianças ficarão muito bem, se planejarmos as atividades junto com elas, atendendo ao que gostam e querem fazer. Se, por vezes, a atividade for a mesma ou o material repetido, isto não significa que a criança vá se desinteressar por já conhecê-los, ao contrário, ela vai colaborar com o grupo, sentir-se valorizada por compartilhar o conhecimento. Também vai desenhar, modelar, recortar, colar, manipular blocos lógicos, manusear livros, ouvir histórias com um desempenho diferente, de acordo com o seu atual estágio de desenvolvimento.
É tão comum a criança ouvir uma história e pedir ao adulto que a repita duas, três, quatro vezes…
Como desenvolvemos a linguagem por meio de nosso fazer pedagógico?
Nos primeiros anos de vida, a linguagem é fundamental para o desenvolvimento. Por meio dela, a criança amplia sua capacidade de compreensão e comunicação – expressando vontades e sentimentos. Ela começa a nomear os objetos e tudo o que a cerca, aumentando, assim, o vocabulário.
Todas as crianças aprendem a falar, escutando e repetindo os sons e palavras emitidos pelas pessoas com as quais elas se relacionam – com os pais, com outros adultos, com outras crianças.
Assim, em todos os momentos em que estamos juntos com as crianças, conversando com elas, orientando-as nas atividades, favorecendo-lhes o desenvolvimento da linguagem.
Quando a criança chega a um ambiente novo, é importante ela se familiarizar com as pessoas e coisas que estão ao seu redor.
Por isso, nós temos de aproveitar a curiosidade natural das crianças e incentivá-las a explorar e descobrir os espaços e objetos. Aqui no Cooperar, os grupos exploram diariamente os diferentes espaços, por meio de questionamentos intencionais dos professores e dos colegas que estão em diferentes estágios da linguagem. Para isso, torna-se conteúdo tudo o que existe no espaço fora da sala: árvores, hortas, o campo, o pomar, a casinha etc. Concomitantemente, também vão descobrindo e compreendendo a função das coisas e das pessoas que as cercam: quem são as pessoas que ocupam aquele espaço, qual o nome das outras crianças, o que existe próximo, dentre outras situações. Isso dá margem a inúmeras possibilidades para elas desenharem, brincarem, etc.
Para que a criança desenvolva sua expressão verbal, nós sugerimos alguns tipos de atividade que lhe permitam falar e, ao mesmo tempo, conhecer o significado dos objetos. Por exemplo: na roda, propomos que cada criança escolha um objeto que esteja dentro da sala. Depois, o grupo tenta descobrir o objeto que cada criança escolheu, perguntando a ela para que serve, de que é feito, qual é a cor, etc. É uma das atividades bastante motivadora da qual gostam muito.
O importante é que sempre orientamos essa atividade como momento para que as crianças comparem os objetos e percebam as semelhanças e diferenças entre eles: quais são vermelhos, quais são amarelos, quais são maiores, quais são os menores, os que servem para desenhar, os que servem para arrumar a sala, etc.
O momento é tão rico que possibilita realizar outras atividades que exploram as noções de tempo, cor, espaço, forma, etc. Essas noções também contribuirão para o enriquecimento do vocabulário da criança, como, por exemplo:
Tempo (ontem, hoje, amanhã…): “- Quem veio ontem à escola? ”;
Cor (verde, azul, amarelo…): “- Quem está usando blusa amarela?”;
Espaço (dentro, fora, em cima, embaixo…): “- Gabriel, pegue a caixa de lápis que está em cima da mesa e distribua para os seus amigos”;
Forma (quadrado, círculo, triângulo, retângulo…): “- Alguém sabe qual é a forma da janela? “ “- Vamos procurar objetos que tenham a forma parecida? ” (pouco a pouco, pode-se nomear as diferentes formas, para que elas compreendam as noções e enriqueçam o seu vocabulário);
Tamanho (grande, pequeno, maior, menor…): “- Vamos procurar o maior livro que está na estante, para contarmos uma história?”;
Aqui no Cooperar, valorizamos muito as pessoas que são encarregadas de alguma função, e as crianças conversam muito com elas. Assim, estabelecem vínculos com todos que organizam a rotina do Cooperar.
Essas atividades possibilitam às crianças adquirirem um vocabulário comum e intensificarem a comunicação entre elas, facilitando a aprendizagem e a compreensão do mundo que as cercam.