Tudo fica mais fácil se entendermos conteúdo como aquilo sobre o que conversamos, exploramos, vivenciamos em diferentes linguagens com as crianças. Então entendemos que conteúdo é tudo o que intermedia a relação entre o professor e as crianças; tanto aquilo que foi selecionado com intencionalidade pelo professor, quanto aquilo que foi consentido intencional e curiosamente, sempre que surgem situações inusitadas disparadas pelas crianças nos seus jeitos espontâneos de dar-se a conhecer.
Em outras palavras, hoje, podemos chamar de conteúdo tudo o que uma professora ou professor sabe, gosta, se interessa, mobiliza, hipotetiza ou escolhe para começar a se apresentar a seus alunos e também começar a conhecê-los a partir destas escolhas, buscando avaliar se essas escolhas de conteúdos lhes fazem sentido também.
Para nós do Cooperar é justamente nessa investigação sobre produção de sentido entre professores e crianças que identificamos o que é mais significativo para a criança. A nossa lógica é que essa forma de selecionar e articular os conteúdos tem diversos desdobramentos. Por exemplo, crianças e professores são considerados sujeitos-leitores e, ao mesmo tempo, objetos de conhecimento de si mesmos, uns dos outros e do mundo. Em outras palavras crianças e professores são considerados também conteúdos, além de sujeitos –leitores do mundo.
Para vocês entenderem a importância de compreenderem os conteúdos trabalhados na Educação Infantil, observem a ficha de avaliação que é encaminhada aos familiares de cada criança. Ela é um documento que registra, sobretudo, o olhar da professora. Um olhar sobre a criança de uma professora que é sujeito-leitor, mas que se torna também, nessa ficha, objeto de conhecimento.
Os pais das crianças e a equipe pedagógica passam a conhecer um pouco mais sobre a professora, como conteúdo que ela é, a partir dos diálogos dela com a criança, das atividades que ela organiza o fechamento do trimestre através dos seus registros diários. Além disso, ao longo do ano, as crianças também vão aprendendo sua professora-sujeitos-leitores que são dela e objeto de conhecimento que ela é para as crianças, pela forma como ela organiza o trabalho no dia a dia.
Por isso, a necessidade de os professores da comunidade da Educação Infantil exercitarem, no dia a dia, o seu papel de sujeito leitor de si mesmo, das crianças e do mundo. E terem consciência que também são objetos de conhecimento.
Como você já deve estar observando, as crianças têm diversos interesses. E sentem muito bem quando esses interesses são levados em conta nas atividades que se realiza com elas. Esses estão ligados ao mundo que as cerca – os animais, as plantas, as pessoas, os objetos, os amigos, a casa, o trabalho, a escola, a comunidade, os transportes, etc.
Como, então, organizar as atividades do dia a dia, partindo desses interesses que, geralmente, são bastante variados e aparecem de diferentes maneiras? Pensamos que existe uma forma: o trabalho a partir de TEMAS.
O QUE SÃO TEMAS?
Constituem-se me tudo que está ao redor das crianças, que faz parte de suas vidas.
Mas como fazer isso em casa?
Aqui no Cooperar os temas surgem dos dias temáticos:
Segunda-feira- Dia das atividades cooperativas
Terça- Feira- Dia da Culinária
Quarta-feira- Dia de Campo
Quinta-feira- Dia da Música
Sexta-feira- Dia do brinquedo
Então, veja: os temas organizam as coisas que existem, os fatos que acontecem, permitindo a descoberta e a exploração do mundo, a partir daquilo que está mais próximo da realidade das crianças (o que elas já conhecem).
Aos poucos, elas vão descobrindo coisas e fatos que estão mais distantes, mas que são muito importantes para que possam ampliar suas experiências.
Toda experiência nova parece, a princípio, difícil, mas você poderá descobrir quantas coisas surgirão! Enfim, acreditamos que vale a pena!
Temos desenvolvido um trabalho com sucata em sala de aula, da Educação Infantil a séries iniciais, para a compreensão do sistema numérico decimal, também para a integração da leitura, escrita e resolução de problemas. Apresentamos uma sugestão, baseada em nossa experiência, de como utilizar o material de sucata em casa.
Uma das formas seria propor o que chamamos de supermercado ou feira. Esse jogo consiste em deixar as crianças arrumarem livremente os objetos em barracas ou prateleiras (sobre caixas de papelão). Em casa pode ser com a compra do supermercado. Após a arrumação, pede-se às crianças que expliquem como e por que o fizeram. As crianças podem separar usando diferentes critérios, como: cores, tamanho, qualidade do material dos objetos, etc. Em seguida, você anotará na folha as explicações dadas pela criança e deverá levá-la a pensar em outras formas de separar e arrumar essa sucata (compra de supermercado), ou seja, identificar outros critérios de classificação dos objetos. Por exemplo: objetos que se usam na cozinha, que servem para higiene, limpeza, que se podem presentear, etc. Oimportante é que você estimule e deixe a criança descobrir as diferentes formas de separar e arrumar o material.
Deve-se repetir essa atividade sempre com diferentes objetos. O objetivo é permitir o desenvolvimento das estruturas mentais de classificação e seriação, consideradas básicas para a compreensão da matemática e da leitura.
Os registros, por sua vez, permitirão duas coisas: primeiro, acompanhar a evolução das classificações e, segundo, demonstrar por meio dessa ação uma das funções da escrita, o registro das ações realizadas, dos fatos ocorridos, ainda, compreender que tudo que se escreve, se pode ler.
No dia a dia, pode-se observar como as crianças são diferentes entre si. Algumas gostam muito de falar, inventar histórias, dramatizar, outras preferem atividades de correr, pular e subir, outras, ainda, ficam mais tempo em atividades calmas, como desenhar, pintar e armar joguinhos. Todas elas, no entanto, são curiosas, e as novidades representam sempre motivo de descobertas.
Por exemplo, os nossos animais domésticos despertam a curiosidade das crianças. É maravilhoso para elas lhes observarem e descobrirem a cor, o corpo, o modo de andar e comer, etc. Estamos, em vários momentos, criando situações em que as crianças ampliem seus conhecimentos. A variedade de atividades desenvolvidas pelas crianças, de acordo com seus interesses, permite-lhes que trabalhem satisfeita e, ao mesmo tempo, que se sintam seguras e confiantes. Apoiamos e estimulamos constantemente – elogiando-as, sugerindo-lhes, conversando e brincando com elas. Estamos sempre atentas para saber ouvir e respeitar as crianças, percebendo seus interesses e reações, e oferecendo oportunidade para que se expressem livremente
No Cooperar, a Educação Infantil é um espaço em que as crianças aprendem sobre si mesmas, sobre o outro e sobre o mundo. Isto não quer dizer que não haja situações de conflito como: brigas, disputas pelo material, indecisão sobre o que vão fazer, ou que alguém não queira participar de nada e atrapalhe o grupo.
Nesses momentos é que a professora ou professor precisa conhecer muito bem as crianças, para saber como agir. Ora as soluções são encontradas pelo próprio grupo, sem a interferência direta dele ou dela; ora discute-se com o grupo para encontrarem uma solução conjunta; ora a situação exigirá uma atenção particular junto à criança.
Não existem, portanto, “receitas” para educar, nem para planejar o dia a dia na Educação Infantil. O que sabemos como equipe pedagógica é que todos devem estar preocupados principalmente em:
– conhecer e aceitar as crianças como são;
– incentivar a iniciativa delas;
-valorizar as formas de expressão das crianças;
– partir sempre das experiências e interesse delas;
– criar situações em que lhes ampliem as experiências;
– oferecer oportunidades que promovam uma convivência amiga entre elas;
Vamos primeiro pensar numa família grande. Daquelas com 10, 12 filhos. O que normalmente acontecia era uma convivência sadia, em que os mais velhos ajudavam e protegiam os mais novos, vivenciando situações que estimulavam o senso de responsabilidade, preparando-os para a vida. Os irmãos mais novos aprendiam sobre a vida com os mais velhos, com enriquecimento de experiências e aumento da segurança. Essa troca era um processo de socialização natural que acontecia no tempo certo. Teoricamente, não sabemos se na prática era realmente assim.
No presente
No Cooperar essa troca, essa socialização natural acontece em um grupo de aprendizagem, com crianças de dois a cinco anos. Acreditamos que tanto a criança mais velha, como a mais nova vão se enriquecer com essa convivência.
Mas, você pode estar pensando: “Bonito de dizer, difícil de fazer…” Nossa resposta é que não será difícil trabalhar com crianças de idades diferentes, se tomarmos uns tantos cuidados, tais quais:
1 – planejar com as crianças;
2 – propor-lhes atividades diversificadas;
3 – fazer agrupamentos.
Vamos pensar sobre cada um desses:
1 – Planejar com as crianças
É necessário entender que o mais importante é planejar com elas e não para elas. Observar bem as crianças, conversar muito com elas, ouvir sempre o que têm a dizer. Procurar perceber de que elas mais gostam, para depois planejar, no início de cada dia, o que vão fazer. Também avaliar com elas o que fizeram, ao final de cada dia.
2 – Propor atividades diversificadas
É simplesmente criar condições para a criança poder escolher diferentes atividades, num certo espaço de tempo, sempre mediado pelas professoras. Por exemplo: enquanto um grupo trabalha com os blocos atributos/blocos lógicos, outro grupo pinta com guache, outro manipula livros de história, etc.
3 – Fazer agrupamentos
Quando dizemos “fazer agrupamentos”, significa formar grupos de crianças no espaço pedagógico. Não é fazer seriação na Educação Infantil, a seriação não tem razão de ser, mas sim o agrupamento, de acordo com o estágio de desenvolvimento de cada uma, para a realização de certas atividades, e em função do amadurecimento, para facilitar a interação da aprendizagem.
E a idade? É apenas um dos aspectos do agrupamento, porque normalmente cada idade corresponde a estágios do desenvolvimento infantil. Mesmo assim, os grupos formados não serão fechados, nem eternos. Tampouco as crianças ficarão com o “rótulo” do grupo X ou Y. Os grupos existem apenas como recurso para nós trabalharmos, e só em certos momentos do dia. Por exemplo, quando precisamos sistematizar conhecimentos das crianças, ou quando formos ensinar uma nova técnica de pintura, etc., chamamos determinado grupo. Muitas vezes, conforme a atividade, os grupos poderão ser outros, bem “misturados”, em que crianças maiores ensinam as menores. Mas nunca o agrupamento poderá prejudicar o que nós chamamos de convivência ou socialização natural. Quer dizer, como as crianças maiores e menores precisam conviver na Educação Infantil.
De tudo o que dissemos, você deve estar pensando: se eu tenho crianças de quatro, cinco e seis anos, como será no ano que vem? Como ficarão as crianças de quatro e cinco anos, se elas “repetirem”?
Nossa resposta é simples: as crianças ficarão muito bem, se planejarmos as atividades junto com elas, atendendo ao que gostam e querem fazer. Se, por vezes, a atividade for a mesma ou o material repetido, isto não significa que a criança vá se desinteressar por já conhecê-los, ao contrário, ela vai colaborar com o grupo, sentir-se valorizada por compartilhar o conhecimento. Também vai desenhar, modelar, recortar, colar, manipular blocos lógicos, manusear livros, ouvir histórias com um desempenho diferente, de acordo com o seu atual estágio de desenvolvimento.
É tão comum a criança ouvir uma história e pedir ao adulto que a repita duas, três, quatro vezes…
Como desenvolvemos a linguagem por meio de nosso fazer pedagógico?
Nos primeiros anos de vida, a linguagem é fundamental para o desenvolvimento. Por meio dela, a criança amplia sua capacidade de compreensão e comunicação – expressando vontades e sentimentos. Ela começa a nomear os objetos e tudo o que a cerca, aumentando, assim, o vocabulário.
Todas as crianças aprendem a falar, escutando e repetindo os sons e palavras emitidos pelas pessoas com as quais elas se relacionam – com os pais, com outros adultos, com outras crianças.
Assim, em todos os momentos em que estamos juntos com as crianças, conversando com elas, orientando-as nas atividades, favorecendo-lhes o desenvolvimento da linguagem.
Quando a criança chega a um ambiente novo, é importante ela se familiarizar com as pessoas e coisas que estão ao seu redor.
Por isso, nós temos de aproveitar a curiosidade natural das crianças e incentivá-las a explorar e descobrir os espaços e objetos. Aqui no Cooperar, os grupos exploram diariamente os diferentes espaços, por meio de questionamentos intencionais dos professores e dos colegas que estão em diferentes estágios da linguagem. Para isso, torna-se conteúdo tudo o que existe no espaço fora da sala: árvores, hortas, o campo, o pomar, a casinha etc. Concomitantemente, também vão descobrindo e compreendendo a função das coisas e das pessoas que as cercam: quem são as pessoas que ocupam aquele espaço, qual o nome das outras crianças, o que existe próximo, dentre outras situações. Isso dá margem a inúmeras possibilidades para elas desenharem, brincarem, etc.
Para que a criança desenvolva sua expressão verbal, nós sugerimos alguns tipos de atividade que lhe permitam falar e, ao mesmo tempo, conhecer o significado dos objetos. Por exemplo: na roda, propomos que cada criança escolha um objeto que esteja dentro da sala. Depois, o grupo tenta descobrir o objeto que cada criança escolheu, perguntando a ela para que serve, de que é feito, qual é a cor, etc. É uma das atividades bastante motivadora da qual gostam muito.
O importante é que sempre orientamos essa atividade como momento para que as crianças comparem os objetos e percebam as semelhanças e diferenças entre eles: quais são vermelhos, quais são amarelos, quais são maiores, quais são os menores, os que servem para desenhar, os que servem para arrumar a sala, etc.
O momento é tão rico que possibilita realizar outras atividades que exploram as noções de tempo, cor, espaço, forma, etc. Essas noções também contribuirão para o enriquecimento do vocabulário da criança, como, por exemplo:
Tempo (ontem, hoje, amanhã…): “- Quem veio ontem à escola? ”;
Cor (verde, azul, amarelo…): “- Quem está usando blusa amarela?”;
Espaço (dentro, fora, em cima, embaixo…): “- Gabriel, pegue a caixa de lápis que está em cima da mesa e distribua para os seus amigos”;
Forma (quadrado, círculo, triângulo, retângulo…): “- Alguém sabe qual é a forma da janela? “ “- Vamos procurar objetos que tenham a forma parecida? ” (pouco a pouco, pode-se nomear as diferentes formas, para que elas compreendam as noções e enriqueçam o seu vocabulário);
Tamanho (grande, pequeno, maior, menor…): “- Vamos procurar o maior livro que está na estante, para contarmos uma história?”;
Aqui no Cooperar, valorizamos muito as pessoas que são encarregadas de alguma função, e as crianças conversam muito com elas. Assim, estabelecem vínculos com todos que organizam a rotina do Cooperar.
Essas atividades possibilitam às crianças adquirirem um vocabulário comum e intensificarem a comunicação entre elas, facilitando a aprendizagem e a compreensão do mundo que as cercam.
Há muita gente que confunde dramatização com teatro.
O teatro é a representação de um texto escrito, decorado e representado para uma plateia. Esse tipo de teatro não é recomendado para nossas crianças da Educação Infantil.
No Cooperar estimulamos as crianças para realizarem a dramatização espontânea. A dramatização espontânea pode ocorrer em qualquer local do Cooperar e em todas as ocasiões, com vivências de situações reais, do cotidiano.
Quando a criança transforma um rolo de jornal em uma boneca e fica ninando-a num canto, ela esta dramatizando, está se expressando. Também o faz, quando se senta dentro de uma caixa e “dirige” como se estivesse em um automóvel.
A dramatização espontânea e a expressão corporal estão muito ligadas. Mas quando se fala em expressão corporal na Educação Infantil, muita gente se assusta. E pensa logo: – “Ah! Eu não tenho jeito para isso! ” No entanto, se conversarmos um pouquinho sobre esse assunto, descobriremos juntos uma porção de coisas. Por exemplo, que a expressão corporal é a manifestação de ideias, sentimentos. É a fantasia que a criança transforma em ação. Quando ela imita a mãe, ninando a boneca que é um rolo de papel, ela expressa, com seu corpo, com sua atitude, tudo o que sente, o que pensa, o que imagina e fantasia sobre essa situação. Quando a criança vai para o fogão, prepara uma comida de mentira e vai servi-la a você, está dramatizando e, ao mesmo tempo, está se expressando com o corpo.
Essas são as fases pelas quais a criança passa e devem ser aproveitadas para enriquecer o trabalho, por meio de propostas de ações dramáticas.
Na roda, poderá ocorrer a seguinte situação:
Professora: o que a mamãe faz em casa?
As crianças poderão responder: “lava, passa, cozinha. ”
Professorar: quem é capaz de mostrar como a mamãe lava a roupa?
As crianças fazem os gestos de pessoa lavando a roupa.
Professora: agora vamos lavar a roupa, bem depressa! Agora bem devagar!
Então, não é simples? Basta você estimular as crianças a observarem pessoas, objetos ou coisas, e a reproduzirem, com o corpo, aquilo que viram.
Dicas de dramatização para os pais. Vamos tentar??
Outras perguntas você poderá fazer para desenvolver a imaginação e a criatividade das crianças, como, por exemplo: “Vamos fechar os olhos e imaginar que estamos dentro de um barco. Como está o rio? O barco está balançando? ”
Essa mesma atividade pode partir de uma música, como “A canoa virou. ”
Após cantá-la, pode-se propor às crianças: “Vamos brincar de ‘faz de conta’? Nós estamos numa canoa. Remando, remando. Agora a canoa começa a encher d’água. O que vamos fazer? ”
Se as crianças continuarem interessadas, poderão imitar as ondas fortes e fracas do mar, os peixes nadando, ou inventar outros personagens.
Você, poderá, ainda, propor outra brincadeira:
– “Um mágico vai passar por aqui e transformar algumas crianças em bonecos. Quem gostaria de ser os bonecos? Quem quer ser os amigos dos bonecos? ”
– “Agora, cada boneco vai escolher um amigo. ”
– “Cada amigo vai ficar de frente para o seu boneco. ”
– “Eu vou ser o mágico. Quando eu tocar o pandeiro, os amigos terão que colocar os bonecos na posição que eu pedir. Os bonecos estão assustados! ”
As crianças que fazem o papel de amigos colocam seus bonecos na posição de susto, até ouvirem o novo sinal.
E a brincadeira continua, com você propondo novas situações:
– “Os bonecos ganharam um presente! ”
– “Os bonecos estão sentados! ”
– “Os bonecos estão dormindo! ”
Os papéis das crianças deverão ser trocados. Quem foi boneco será amigo e quem foi amigo será boneco.
Até as situações do dia a dia da sua casa podem ser transformadas em dramatização. Por exemplo, digamos que a criança pediu para brincar no quintal. Mas estamos em quarentena. Por isso, você não pode atendê-la. Depois de explicar a ela o porquê de ficarem dentro de casa, você poderá propor uma brincadeira:
– “Vamos todos andar à vontade. E vamos fazer de conta que estamos lá fora, no quintal. ”
– “Ih, o sol está esquentando muito! Que calor! ”
– “Agora nós temos que atravessar bem depressa este quinta! ”
– “Ui, ui, os pés estão queimando! ”
Enquanto a criança estiver interessada, continue a propor atividades:
– “Puxa! Agora o chão está cheio de cola! Vamos correr sem sair do lugar? ”
– “E para sair do lugar, o que a gente pode fazer? ”
Voltando ao nosso fazer pedagógico
Aos poucos, começamos com a dramatização de uma história, sem, contudo, transformá-la numa atividade imposta, mas sim desejada pelas próprias crianças.
Temos de ter a sensibilidade de sentir quando as crianças estarão prontas para a atividade. E elas dão muitos indícios de que querem mais.
Temos cuidado na hora de escolher a história. A maioria das vezes ela é movimentada, com muitos diálogos, repetições ou, ainda, com pequenas músicas intercaladas. Histórias são mais fáceis para serem dramatizadas.
Sempre providenciamos, com antecedência, o material necessário para as caracterizações, ficando prevenido para o caso deles desejarem “fazer” alguma roupa de papel – por exemplo, máscaras, ou qualquer detalhe sugestivo.
Nós evitamos ser muito exigentes com esse material. As crianças se contentam com pouco. Uma tira de papel faz uma coroa, um pedaço de pano ou de papel fazem um manto ou capa. O importante é a imaginação criadora de cada criança.
Nós não só narramos, mas “vivemos” a história. Ao terminá-la, perguntamos: “Quem quer brincar de história?”
Em seguida, procuramos levar as crianças a lembrarem qual o enredo, quais as personagens, os fatos mais importantes, etc.
A escolha da personagem nem sempre é fácil. Às vezes, muitos querem ser uma mesma personagem. Geralmente, deixamos dois chapeuzinhos vermelhos e três lobos, por exemplo, ou sugerimos ao grupo a aceitar a ideia de que um grupo participa da dramatização e o outro assiste. Se as crianças quiserem, podem, depois, trocar os papéis.
Elas escolhem, se vão ou não usar caracterizações, como vão fazê-las e o material que vão usar.
Depois, combinamos o local onde a dramatização será desenvolvida. Exemplo:
– “A floresta fica deste lado! ”
– “A casa do porquinho, aqui! ”
– “O lobo vem do outro lado! ”
Tudo é combinado antes, para que elas não fiquem paradas, “perdidas”, tirando a espontaneidade de suas atitudes. O importante é ter paciência de esperar que elas falem, que os diálogos sejam com palavras delas, que reproduzam a história como quiserem, sem que nós professores “sopremos” as falas.
Aqui no Cooperar nós participamos da dramatização, em vez de ficarmos só assistindo.
As crianças gostam muito quando o adulto entra na brincadeira e realmente é um prazer dramatizar com elas.
A dramatização é vista por nós como uma atividade altamente enriquecedora para a criança. Elas devem sentir prazer e alegria na atividade e permitimos que repitam quantas vezes desejarem, mostrando-nos, assim, o quanto gostaram da história.