DRAMATIZAR É FACIL

Há muita gente que confunde dramatização com teatro.

O teatro é a representação de um texto escrito, decorado e representado para uma plateia. Esse tipo de teatro não é recomendado para nossas crianças da Educação Infantil.

No Cooperar estimulamos as crianças para realizarem a dramatização espontânea. A dramatização espontânea pode ocorrer em qualquer local do Cooperar e em todas as ocasiões, com vivências de situações reais, do cotidiano.

Quando a criança transforma um rolo de jornal em uma boneca e fica ninando-a num canto, ela esta dramatizando, está se expressando. Também o faz, quando se senta dentro de uma caixa e “dirige” como se estivesse em um automóvel.

A dramatização espontânea e a expressão corporal estão muito ligadas. Mas quando se fala em expressão corporal na Educação Infantil, muita gente se assusta. E pensa logo: – “Ah! Eu não tenho jeito para isso! ” No entanto, se conversarmos um pouquinho sobre esse assunto, descobriremos juntos uma porção de coisas. Por exemplo, que a expressão corporal é a manifestação de ideias, sentimentos. É a fantasia que a criança transforma em ação. Quando ela imita a mãe, ninando a boneca que é um rolo de papel, ela expressa, com seu corpo, com sua atitude, tudo o que sente, o que pensa, o que imagina e fantasia sobre essa situação. Quando a criança vai para o fogão, prepara uma comida de mentira e vai servi-la a você, está dramatizando e, ao mesmo tempo, está se expressando com o corpo.

Essas são as fases pelas quais a criança passa e devem ser aproveitadas para enriquecer o trabalho, por meio de propostas de ações dramáticas.

Na roda, poderá ocorrer a seguinte situação:

Professora: o que a mamãe faz em casa?

As crianças poderão responder: “lava, passa, cozinha. ”

Professorar: quem é capaz de mostrar como a mamãe lava a roupa?

As crianças fazem os gestos de pessoa lavando a roupa.

Professora: agora vamos lavar a roupa, bem depressa! Agora bem devagar!

Então, não é simples? Basta você estimular as crianças a observarem pessoas, objetos ou coisas, e a reproduzirem, com o corpo, aquilo que viram.

Dicas de dramatização para os pais. Vamos tentar??

Outras perguntas você poderá fazer para desenvolver a imaginação e a criatividade das crianças, como, por exemplo: “Vamos fechar os olhos e imaginar que estamos dentro de um barco. Como está o rio? O barco está balançando? ”

Essa mesma atividade pode partir de uma música, como “A canoa virou. ”

Após cantá-la, pode-se propor às crianças: “Vamos brincar de ‘faz de conta’? Nós estamos numa canoa. Remando, remando. Agora a canoa começa a encher d’água. O que vamos fazer? ”

Se as crianças continuarem interessadas, poderão imitar as ondas fortes e fracas do mar, os peixes nadando, ou inventar outros personagens.

Você, poderá, ainda, propor outra brincadeira:

– “Um mágico vai passar por aqui e transformar algumas crianças em bonecos. Quem gostaria de ser os bonecos? Quem quer ser os amigos dos bonecos? ”

– “Agora, cada boneco vai escolher um amigo. ”

– “Cada amigo vai ficar de frente para o seu boneco. ”

– “Eu vou ser o mágico. Quando eu tocar o pandeiro, os amigos terão que colocar os bonecos na posição que eu pedir. Os bonecos estão assustados! ”

As crianças que fazem o papel de amigos colocam seus bonecos na posição de susto, até ouvirem o novo sinal.

E a brincadeira continua, com você propondo novas situações:

– “Os bonecos ganharam um presente! ”

– “Os bonecos estão sentados! ”

– “Os bonecos estão dormindo! ”

Os papéis das crianças deverão ser trocados. Quem foi boneco será amigo e quem foi amigo será boneco.

Até as situações do dia a dia da sua casa podem ser transformadas em dramatização. Por exemplo, digamos que a criança pediu para brincar no quintal. Mas estamos em quarentena. Por isso, você não pode atendê-la. Depois de explicar a ela o porquê de ficarem dentro de casa, você poderá propor uma brincadeira:

– “Vamos todos andar à vontade. E vamos fazer de conta que estamos lá fora, no quintal. ”

– “Ih, o sol está esquentando muito! Que calor! ”

– “Agora nós temos que atravessar bem depressa este quinta! ”

– “Ui, ui, os pés estão queimando! ”

Enquanto a criança estiver interessada, continue a propor atividades:

– “Puxa! Agora o chão está cheio de cola! Vamos correr sem sair do lugar? ”

– “E para sair do lugar, o que a gente pode fazer? ”

Voltando ao nosso fazer pedagógico

Aos poucos, começamos com a dramatização de uma história, sem, contudo, transformá-la numa atividade imposta, mas sim desejada pelas próprias crianças.

Temos de ter a sensibilidade de sentir quando as crianças estarão prontas para a atividade. E elas dão muitos indícios de que querem mais.

Temos cuidado na hora de escolher a história. A maioria das vezes ela é movimentada, com muitos diálogos, repetições ou, ainda, com pequenas músicas intercaladas. Histórias são mais fáceis para serem dramatizadas.

Sempre providenciamos, com antecedência, o material necessário para as caracterizações, ficando prevenido para o caso deles desejarem “fazer” alguma roupa de papel – por exemplo, máscaras, ou qualquer detalhe sugestivo.

Nós evitamos ser muito exigentes com esse material. As crianças se contentam com pouco. Uma tira de papel faz uma coroa, um pedaço de pano ou de papel fazem um manto ou capa. O importante é a imaginação criadora de cada criança.

Nós não só narramos, mas “vivemos” a história. Ao terminá-la, perguntamos: “Quem quer brincar de história?”

 Em seguida, procuramos levar as crianças a lembrarem qual o enredo, quais as personagens, os fatos mais importantes, etc.

A escolha da personagem nem sempre é fácil. Às vezes, muitos querem ser uma mesma personagem. Geralmente, deixamos dois chapeuzinhos vermelhos e três lobos, por exemplo, ou sugerimos ao grupo a aceitar a ideia de que um grupo participa da dramatização e o outro assiste. Se as crianças quiserem, podem, depois, trocar os papéis.

Elas escolhem, se vão ou não usar caracterizações, como vão fazê-las e o material que vão usar.

Depois, combinamos o local onde a dramatização será desenvolvida. Exemplo:

– “A floresta fica deste lado! ”

– “A casa do porquinho, aqui! ”

– “O lobo vem do outro lado! ”

Tudo é combinado antes, para que elas não fiquem paradas, “perdidas”, tirando a espontaneidade de suas atitudes. O importante é ter  paciência de esperar que elas falem, que os diálogos sejam com palavras delas, que reproduzam a história como quiserem, sem que nós professores “sopremos” as falas.

Aqui no Cooperar nós participamos da dramatização, em vez de ficarmos só assistindo.

As crianças gostam muito quando o adulto entra na brincadeira e realmente é um prazer dramatizar com elas.

A dramatização é vista por nós como uma atividade altamente enriquecedora para a criança. Elas devem sentir prazer e alegria na atividade e permitimos que repitam quantas vezes desejarem, mostrando-nos, assim, o quanto gostaram da história.

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