A IMPORTÂNCIA DA CONVIVÊNCIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Vamos primeiro pensar numa família grande. Daquelas com 10, 12 filhos. O que normalmente acontecia era uma convivência sadia, em que os mais velhos ajudavam e protegiam os mais novos, vivenciando situações que estimulavam o senso de responsabilidade, preparando-os para a vida. Os irmãos mais novos aprendiam sobre a vida com os mais velhos, com enriquecimento de experiências e aumento da segurança. Essa troca era um processo de socialização natural que acontecia no tempo certo. Teoricamente, não sabemos se na prática era realmente assim.

No presente

No Cooperar essa troca, essa socialização natural acontece em um grupo de aprendizagem, com crianças de dois a cinco anos.  Acreditamos que tanto a criança mais velha, como a mais nova vão se enriquecer com essa convivência.

Mas, você pode estar pensando: “Bonito de dizer, difícil de fazer…” Nossa resposta é que não será difícil trabalhar com crianças de idades diferentes, se tomarmos uns tantos cuidados, tais quais:

1 – planejar com as crianças;

2 – propor-lhes atividades diversificadas;

3 – fazer agrupamentos.

Vamos pensar sobre cada um desses:

1 – Planejar com as crianças

É necessário entender que o mais importante é planejar com elas e não para elas. Observar bem as crianças, conversar muito com elas, ouvir sempre o que têm a dizer. Procurar perceber de que elas mais gostam, para depois planejar, no início de cada dia, o que vão fazer. Também avaliar com elas o que fizeram, ao final de cada dia.

2 – Propor atividades diversificadas

É simplesmente criar condições para a criança poder escolher diferentes atividades, num certo espaço de tempo, sempre mediado pelas professoras. Por exemplo: enquanto  um grupo trabalha com os blocos atributos/blocos lógicos, outro grupo pinta com guache, outro manipula livros de história, etc.

3 – Fazer agrupamentos

Quando dizemos “fazer agrupamentos”, significa formar grupos de crianças no espaço pedagógico. Não é fazer seriação na Educação Infantil, a seriação não tem razão de ser, mas sim o agrupamento, de acordo com o estágio de desenvolvimento de cada uma, para a realização de certas atividades, e em função do amadurecimento, para facilitar a interação da aprendizagem.

E a idade? É apenas um dos aspectos do agrupamento, porque normalmente cada idade corresponde a estágios do desenvolvimento infantil. Mesmo assim, os grupos formados não serão fechados, nem eternos. Tampouco as crianças ficarão com o “rótulo” do grupo X ou Y. Os grupos existem apenas como recurso para nós trabalharmos, e só em certos momentos do dia. Por exemplo, quando precisamos sistematizar conhecimentos das crianças, ou quando formos ensinar uma nova técnica de pintura, etc., chamamos determinado grupo. Muitas vezes, conforme a atividade, os grupos poderão ser outros, bem “misturados”, em que crianças maiores ensinam as menores. Mas nunca o agrupamento poderá prejudicar o que nós chamamos de convivência ou socialização natural. Quer dizer, como as crianças maiores e menores precisam conviver na Educação Infantil.

De tudo o que dissemos, você deve estar pensando: se eu tenho crianças de quatro, cinco e seis anos, como será no ano que vem? Como ficarão as crianças de quatro e cinco anos, se elas “repetirem”?

Nossa resposta é simples: as crianças ficarão muito bem, se planejarmos as atividades junto com elas, atendendo ao que gostam e querem fazer. Se, por vezes, a atividade for a mesma ou o material repetido, isto não significa que a criança vá se desinteressar por já conhecê-los, ao contrário, ela vai colaborar com o grupo, sentir-se valorizada por compartilhar o conhecimento. Também vai desenhar, modelar, recortar, colar, manipular blocos lógicos, manusear livros, ouvir histórias com um desempenho diferente, de acordo com o seu atual estágio de desenvolvimento.

É tão comum a criança ouvir uma história e pedir ao adulto que a repita duas, três, quatro vezes…

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *